segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

coisas que ninguém presta atenção

Eu me dei um tempo do blog. Às vezes eu tenho um monte de coisas pra escrever, mas simplesmente não fico com saco pra isso porque não é todos os dias que eu quero refletir a profundo sobre a vida, sobre a existência, enfim, sobre tudo. Mas na maioria das vezes, enquanto a minha mente voa durante uma viagem, ou alguma tarefa que não requer muita atenção, ou até dormindo eu me paro pensando em coisas que ninguém (ou quase ninguém) pensa por um fator muito simples: somos feitos de rotinas, de normalidades, de seguranças. E todo o resto a gente deixa pra lá.

Tive tempo de sobra pra pensar na vida na viagem que eu fiz à Bahia com meu namorado algumas semanas atrás (foi lindo, brigada mô) e em um dia a caminho da praia, eu simplesmente estava pensando em qualquer coisa aleatória desse monte de coisas que todo mundo pensa quando tá em transporte público quando, de repente, me veio um estalo na cabeça e o pensamento foi o seguinte: eu estou aqui. Eu estou vivendo isso. Eu estou viva e vivendo esse momento que nunca mais vai se repetir.

Ninguém fica sem conseguir dormir a noite com medo do sol não nascer, nem com medo do seu coração parar (a não ser que você saiba que tá com o coração ferrado), nem se seus órgãos estão funcionando direito, nem com um meteoro que acabará com a terra antes de você acordar, ou que nas próximas horas você possa descobrir um simples e inofensivo carocinho no pescoço e esse carocinho ser um câncer que pode te levar embora pra sempre em questão de algumas semanas.

Viver é arrebatador, é visceral, é intenso e é normal, porque não dá pra ficar pensando nos "talvez" o tempo todo. E talvez por assim ser, que nem sempre a gente tá preparado pra lidar com as surpresas e novidades que cada dia separa pra gente. Não há uma vez que eu não escreva aqui que meus olhos não se encham d'água, porque conseguir escrever o que se sente é uma das maiores dádivas que alguém pode ter. 

Não há nada, NADA que não possa ser superado, que não possa ser vencido, que não possa ser derrotado. Eu posso afirmar isso. Hoje cortei meus cabelos de novo. E sempre que eu os corto, não dói mais, porque agora eles crescem todos os dias, sem eu ter medo deles caírem de novo, sem eu me preocupar em como minha aparência será amanhã porque eu sei que eles vão estar da mesma forma que estão hoje. 

Eu não sei de fato se existe um propósito em tudo isso, em viver. Mas todos os dias em que eu acordo e sinto meus cabelos, sei que viver até aqui não foi em vão.