terça-feira, 23 de junho de 2015

2 anos de blog!

Uau! Como eu ainda não tinha me dado conta do aniversário de dois anos do blog? Ah, deve ser porque eu parei de contar algumas coisas na minha vida. Mesmo sem saber bem o que fazer ou falar, aqui estou eu, em completa gratidão a todo o universo por hoje poder olhar pra um passado não tão distante e conseguir enxergar por tudo que eu passei de uma forma que não me machuque nem me cause ressentimentos. Realmente é verdade essa coisa que dizem que a vida passa diante dos nossos olhos e a gente nem percebe.

Eu me lembro exatamente bem do dia que resolvi criar o blog. Tava esgotada com tanta coisa na cabeça, saturada em ter que aguentar a barra e não me dar ao luxo de desabar. Talvez tenha feito alguma sessão de quimioterapia no dia. O blog foi uma saída, ou melhor, uma entrada pra minha dor. E tomou proporções que eu nunca imaginei. Antes, o que não passava de um diário virtual e secreto, hoje se tornou um blog compartilhado por gente do país (e mundo) inteiro. Gente que eu nem conheço, mas que me mandam mensagens tão lindas me agradecendo por tudo que eu escrevo, pela minha coragem em compartilhar a minha vida com eles. Sabe, de alguma forma, sinto que a minha existência não foi em vão. Ou melhor: não está sendo em vão.

Como eu me expandi nesses dois últimos anos! Como a vida foi incrivelmente generosa comigo me permitindo passar por tantas experiências fortes e com elas, me fortalecer! Hoje eu consigo entender que eu tinha que passar por tudo que eu passei pra me tornar forte. Um viva pra mim, que mesmo depois de improváveis certezas, aqui estou, mostrando que sempre há esperança!

O câncer não veio pra me matar, mas pra me ensinar a viver!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Através de

As pessoas olham e sentem através de. As relações se dão através de. Todas as vezes que vou na rua, as perguntas são direcionadas através de mim. As pessoas me olham mas não me enxergam. Em vez de perguntarem: "hey, Ray, como você tá? O que tá sentindo?", perguntam: "hey, Ray! E aí, quando é que termina a faculdade? Vai fazer o quê depois? Tá pensando em algum concurso público?". 

É mais conveniente não se envolver muito, não se apegar muito, não sentir muito. Porque a gente já tem tantos problemas, né? Pra que procurar mais problemas pra gente? Ainda mais dos outros.

O ser não é importante. O ter é. E me assusta a ideia de pessoas que só conseguem olhar através de. Rótulos tornaram-se tão necessários quanto a necessidade de fazer o que está fazendo, porque, pasmem-se, a gente não pode não estar fazendo nada. A gente se culpa se tirar um dia só pra assistir aquela série super maneira do Netflix ou simplesmente ficar dormindo o dia todo. A gente se sente mal se não produzir nada, se não ter nada, se não mostrar que faz alguma coisa. Porque as coisas se misturaram e pra ser alguma coisa, você tem que ter alguma coisa. Afinal, o que é uma pessoa hoje em dia sem terceiro grau? Ou sem concurso? Ou sem um parceiro ao lado?

A insatisfação em olhar-se por dentro é tão grande, que olhar através torna-se confortável e acalenta. Percebo o quão vazios podemos ser. Talvez olhar pra dentro torna-se um martírio porque dentro é escuro, é oco, é sem nada.

E assim a vida vai indo, vai indo, e a gente vai seguindo, tornando-nos vazios, ocos, aprendendo a não parar pra se olhar por dentro, a olhar apenas através, e tentando a todo momento preencher esse vazio - crônico - com terceiro grau, concurso público ou ir vivendo aquela vida que não se mostra muito. Uma vida que não se sente. Que se vive através de.