quarta-feira, 6 de maio de 2015

E se for?

É estranho estar com a mesma sensação de dois anos atrás. Ontem, como da outra vez, por um acaso, eu descobri outro caroço no meu pescoço. Da mesma forma que o outro: não dói, não incomoda, não aparece e se move. Ele é grande mas é um pouco menor que o outro. Fora que continuo como da primeira vez sem sentir nenhum outro sintoma que possa estar relacionado a volta da doença. 
Vou te dizer, não é fácil nem imaginar a volta do câncer. E agora, a aflição se mistura com a dor porque eu sei exatamente tudo o que vai acontecer caso a recidiva seja confirmada. É uma mistura de vontade de chorar, com raiva, com querer achar uma culpa pra isso e ao mesmo tempo tentar não se culpar.
Mas aí eu passei o dia todo analisando as alternativas e me parei pensando "e se for?". Bom, se for, eu vou ficar careca de novo, vou enjoar de novo, vou ficar fraca de novo, vou ser olhada com pena de novo, vou parar a minha vida de novo. Tudo novo de novo. 
É um medo tão forte que faz as pernas tremerem só por ansiedade em ir logo ao encontro do médico. E o que eu vou dizer pros amigos? Como eu vou contar pra família de novo que a doença voltou? Eu vou sobreviver? E seu eu morrer? As chances de cura quando a doença volta caem? Por que comigo? Por que comigo de novo? Por que?
Fico tentando achar as respostas que eu não sou capaz de responder, mas é maior que eu. Tô com medo, tô frustrada, tô desapontada com meu corpo. O que me acalma é saber e voltar a repetir que essas coisas estão acima de mim e que eu não tenho o controle sobre elas. 

Só me resta esperar de novo o diagnóstico que pode mudar a minha vida. 

De novo.