quinta-feira, 23 de abril de 2015

23 de abril, 1 ano e meio de remissão!



Antes de ficar doente, eu nunca parei pra pensar na grandiosidade da vida e muito menos na possibilidade de morrer. Quando a gente tem 21 anos a gente não precisa se preocupar com essas coisas, porque de uma forma mágica somos eternos. E aí, quando você se pega com o diagnóstico nas mãos de uma doença altamente mortal, todo o seu mundo encantado cristalizado é quebrado e você se vê sem proteção nenhuma.





Durante o tratamento eu tinha grandes chances de cura, mas nada que passasse dos 80%. E pode ter certeza que você só se apega nos 20% que podem dar errado. Você pensa: "por que eu teria o privilégio de escapar da morte enquanto tantas outras pessoas que mereciam estar vivas não escaparam?". Tento responder essa pergunta todos os dias.


E o que parecia um sonho distante aos poucos vai se tornando realidade. E aí você se depara com a sua última sessão de quimioterapia. Mas e aí? O que vem depois? E se não foi suficiente pra eu ficar boa? E se eu morrer? E se eu viver?


Tenho respondido essas perguntas pra mim mesma pouco a pouco. A cada dia de novo nascimento é uma descoberta nova. O medo faz parte, mas, de uma forma muito gostosa, deixei de perguntar "e se eu viver?" pra apenas experimentar todas as sensações possíveis que é estar viva. E cada dia é uma sensação nova.