terça-feira, 29 de julho de 2014

Coisas que me fazem sentir viva

Eu gosto muito da menina que eu sou hoje. Gosto das minhas opiniões, da minha história, do meu modo de ver a vida e até dos meus defeitos. Eu gosto de sorvete de chocolate, de macarrão e banana prata. Eu gosto de preto, azul e branco e detesto o rosa. Eu gosto de olhar as pessoas passando na rua e imaginar o que elas estão pensando. Eu gosto de estar escrevendo esse texto e esquecendo de tudo que eu tenho que terminar de fazer. Eu gosto das cortinas do meu quarto, eu gosto de olhar as estrelas na hora de dormir numa tarde quente de verão, eu gosto de pintar as unhas de vermelho. Eu gosto de dias nublados e chuvosos, eu gosto do pastel que a minha avó faz, eu gosto de pessoas diferentes. Na verdade eu amo pessoas diferentes. Amar e gostar são coisas diferentes. Acho que quando você ama alguma coisa aquilo te dá uma alegria imensa apenas por ser lembrada e eu amo sentir isso com as coisas. Eu amo sentir. Eu amo viver. Eu amo amar. Sim, eu amo as minhas particularidades e amo mais ainda quem se interessa por elas. Dentro de mim só cabem sentimentos bons e aconchegantes. Gosto de coisas que me deixem com cheiro de flor e que tenha gosto de cereja.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O medo

Eu sou tão corajosa pra algumas coisas e tão medrosa pra outras. Eu não tenho medo de barata mas tenho medo de minhoca. Eu não tenho medo da chuva mas tenho medo dos trovões. Eu não tenho medo de andar de bicicleta mas vou fazer uma viagem de avião e já estou apavorada. Eu não tenho medo de morrer mas tenho medo da doença voltar. Nos últimos dias, soube que alguns amigos que enfrentaram o linfoma junto comigo reincidiram, ou seja: a doença voltou. Eu só consigo me colocar no lugar deles e me apavoro com a ideia de frustração e impotência diante a uma notícia dessas. Imagina só, depois de ter lutado tanto, já ter voltado pra casa, pra vida normal, você descobrir que vai ter que lutar de novo e dessa vez com um inimigo muito mais agressivo? Isso me dá medo. Imagina ter que perder os cabelos de novo, ficar enjoada, ficar fraca.. Não, não sei se teria forças pra tudo de novo. Mas qual é o preço que se paga pela vida? Eu acho que o preço nunca é caro demais, que sempre vai valer a pena lutar, que pra cada vitória há um troféu esperando pra ser entregue. Quem perde também ganha pois fraco é quem não morreu lutando, é quem simplesmente entregou os pontos antes mesmo de ir pro campo de batalha. Eu perdi amigos que estavam na mesma situação que eu e que de um dia pro outro houve algum problema e o corpo não resistiu. Eu perdi amigos que morreram porque não encontraram doadores de medula a tempo, que morreram porque não tinha sangue compatível pra doação. Eu só acordei pra minha real situação depois que isso aconteceu. Depois que a morte me chamou pra conversar e disse: "olha menina, eu poderia te levar agora mas ainda não". Eu só acordei quando eu morri e renasci pra vida. Porque viver é muito bom mas renascer e se lembrar do seu novo nascimento é muito, mas muito melhor.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Quando meus cabelos caíram...

Eu pensei que sofreria mais. É surreal estar na beira da morte em um ano e em outro esbanjar vida por aí. Julho de 2013, 1 ano atrás. A perda dos cabelos era gradativa e eu até cheguei a pensar que eles não iam cair por completo. O desespero começou depois da terceira quimio. Já imaginou o cabelo simplesmente cair quase que inteiro na sua mão apenas com um puxão de escova? Foi desesperador. Era terrível acordar e ver o travesseiro com cachos inteiros e os espaços brancos na minha cabeça começando a aparecer. Por mais que você lute contra não tem jeito, era pra cair mesmo. Esperei criar coragem o suficiente e não fiquei procrastinando a situação não. Raspei com máquina zero. Matei a minha curiosidade de menina. Estava completamente careca. Aí a comoção foi geral, né? Minha família tentando me agradar dizendo: até que tá bonitinha mas com a voz travando pra não chorar ou as pessoas na rua que diziam: "o importante é ter saúde, cabelo cresce de novo". Mentira. Cabelo é muito importante. Cabelo é identidade. Eu tinha perdido a minha identidade. Foi tudo novo novamente. Cada dia era uma descoberta. Eu não sabia que os cabelos protegiam tanto do frio. A única coisa que me esquentava eram as toucas de lã. Aos poucos fui aprendendo a lidar com a situação e como sempre, dando o meu jeito pra enxergar o lado bom da situação. Comecei com uma campanha de doação de lenços pra mim entre meus amigos e aos poucos eles chegavam. Calculo eu que foram mais de 80. Cada dia uma amarração diferente, uma cor nova, cada dia eu tinha um cabelo diferente. O fim das sessões de quimioterapia representaram não apenas a minha cura, mas meu renascimento. Eu estava viva novamente e meus cabelos crescerem foi a prova disso. Cada dia um fio por aqui, outro lá, a carequinha vai dando lugar aos fios fininhos e lisos, os lenços já não eram tão necessários, o frio não era tão forte e quando eu me dei conta já não estava mais careca. Foi uma felicidade tão grande mas tão grande sentir meu cabelo de novo... (tá, tô um pouco emocionada agora, rs). Os meus cabelos marcam o fim de um período sofrido e o começo da primavera na minha vida. Cada dia estão mais fortes, encaracolados, sei que não vão cair nunca mais e que cada vez que olho pra eles me lembro com carinho da importância deles pra mim. Eu fui desafiada e como eu adoro um desafio não recusei. Cá estou, 1 ano depois de ter coragem pra raspar os cachos, viva, saudável e cabeluda. Tudo nessa vida passa, nada dói pra sempre, a vida é sempre um constante recomeço e eu estou cumprindo todos os seus ciclos, pode acreditar no que eu te digo. A vida é bela!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Quanto dura o infinito?

Num dos meus filmes favoritos, "O curioso caso de Benjamin Button", Ben nasce diferente de qualquer pessoa que já tenha existido. Ben nasce velho. Com a pele enrugada, os olhos com catarata, cabelos brancos, um pouco surdo e tudo mais que a velhice acarreta. Conforme o tempo vai passando Ben vai rejuvenescendo e com o tempo e suas experiências vividas ele ganha uma coisa que nem todo mundo ainda foi agraciado: maturidade. Ben é diferente das outras pessoas porque ele passou por coisas que ninguém mais passou, ele viveu coisas únicas, descobriu segredos que talvez não fizesse sentido pra mais ninguém, só pra ele. A parte que eu mais gosto no filme é quando ele escreve uma carta para sua filha quando abdica do direito de terminar sua vida ao lado dela sabendo que quanto mais envelhecesse mais novo ficaria até se tornar um recém nascido. "Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente". Feche os olhos e pense na coisa mais magnífica que existe: o infinito. É tudo uma questão de tempo. Quanto dura o seu infinito? O meu dura mais quando eu estou perto do mar.
"Algumas pessoas não sabem o que dizem. O Beija flor não é um pássaro comum. Sua frequência cardíaca é de 120 batidas por minuto. Suas asas batem 80 vezes por segundo. Se você segurasse um beija flor e impedisse ele de bater as suas asas ele morreria em menos de 10 segundos. Ele definitivamente não é um pássaro qualquer! E isso é um verdadeiro milagre! Uma vez observaram através de uma câmera lenta o bater das asas de um beija flor, sabe o que eles viram? As extremidades das asas se movem fazendo o numero 8 no ar; Sabe do que o numero 8 é simbolo matemático? Infinito!"