sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mais um capítulo

E a saga continua... Dessa vez a ansiedade é mais tranquila mas a cabeça anda cheia. Estou me preparando para mais uma viagem ao Rio só que essa viagem é muito importante. Na segunda, depois de ficar algumas horas em jejum (já estou sofrendo por isso), vou ser submetida a uma tomografia do pulmão para acompanhar os nódulos. É esse exame aparentemente inofensivo que vai definir mais uma vez o meu ano. Caso o resultado dê positivo, adivinha? Mais quimios, transplante de medula e talvez algumas rádios. Não é o que eu quero mas tô pronta pra tudo. Bom, deixa estar que o que for pra ser vigora. Talvez a limpeza do cateter na segunda seja a última da minha vida e me dá alívio saber que não vou mais precisar ser espetada e sentir dor. Em março vou saber o rumo que as coisas vão tomar e é muito ruim você depender de um médico e exames pra definir o seu futuro. Isso que mais me aborrece. Pelo menos por um instante, não poder ser dona do meu futuro nem da minha vida. Por um instante. Tá acabando, o pior já passou. O pior sempre passa. Torça por mim.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Voo contra o câncer

PRECISA-SE DE AVIÕES
PARA A GUERRA
CONTRA O CÂNCER.
ALGUMA COMPANHIA
AÉREA SE CANDIDATA?

Rápidos, cômodos e seguros, os aviões são usados em viagens a lazer, para visitar parentes, fazer compras, reencontrar os amigos. Mas poderiam ser utilizados por um motivo ainda mais especial: salvar vidas.

Em Barretos, interior de São Paulo, está o maior e mais avançado hospital oncológico da América Latina e o único IRCAD das Américas(Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica).

Estamos falando do Hospital de Câncer de Barretos, que atende, diariamente, via SUS, 4.000 pacientes vindos de todos os 27 estados do país. Pessoas que viajam horas e até dias para terem acesso ao que há de mais moderno em tratamento no mundo. Sendo que, a apenas 8 km do hospital, existe um aeroporto prontinho, com uma pista maior do que a do Santos Dumont (RJ), só que sem voos comerciais.

Ou seja: não faltam passageiros, não falta infraestrutura, só falta o avião.

Ajude a espalhar esse projeto e convencer as companhias aéreas a criarem um voo para Barretos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Era uma vez um carocinho...

2014 será o ano das recordações do ano que passou. Tenho um monte de 365 dias pra comemorar de acontecimentos que me marcaram. Vamos recordar: fevereiro de 2013, num dia quente em Campos, ao limpar o suor do pescoço, percebo um caroço do lado direito que não doía e era maior que uma azeitona. Na mesma hora eu pensei: "Caramba, como eu sou desatenta! Sempre tive um caroço aqui e nunca percebi". Dias depois, ao levar minha amiga para consultar pois estava com uma suspeita de dengue, resolvo mostrar o carocinho para um médico, mas não pensando em nada sério. Até que ele diz: "Olha menina, caroço na região do pescoço sem infecção e sem doer pode ser coisa séria. Procure um especialista, não deixe passar." Tá. Depois disso eu pensei: "É, pode ser alguma coisa da tireoide". Até que voltando pra casa depois de duas semanas intensas de provas na faculdade, me consulto com um médico que é ótimo para diagnosticar onde ele me pede para fazer um raio-x e dizer assim, na minha cara: "Você tem caso de câncer na família?". Foi a partir desse momento que a minha história com o câncer nasceu. Foi o primeiro contato com a ideia de estar com câncer e de entender que alguma coisa séria estava acontecendo. Daí pra frente foi aquela agonia, né? Exames de sangue, exame pra tuberculose, pra alguma reação alérgica, até o meu pneumologista desistir de procurar outra coisa que não fosse o linfoma. Meu tio estava comigo no consultório quando ele disse falando sério: "Vamos fazer uma biópsia hoje mesmo pra confirmar". Na hora eu só queria sair correndo do hospital e esquecer do problema. Na minha cabeça, se eu fugisse pra bem longe, nada ia acontecer de ruim. Mas aí a gente tem que deixar o lado maduro da gente falar e encarar de frente a situação. Eu nunca pensei que um caroço que ficava lá no meu pescoço quietinho, sem incomodar e aparecer pudesse significar uma coisa que quase me matou. Bom, aqui estou, mais um mês de fevereiro, viva, e servindo de testemunho que a vida é bonita e que vale a pena lutar por ela. A emoção vem que não dá pra segurar, mas é uma emoção alegre, feliz, de agradecimento, de reconhecer a proporção do tamanho da doença e mais ainda tentar entender a minha sobrevivência. Vou saindo de fininho desse post com um versículo que meu tio nunca cansou de repetir pra mim nos momentos mais difíceis que passei.
"O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia; e conhece os que nele confiam." Naum 1.7