segunda-feira, 25 de julho de 2016

fim

A última vez que cortei os cabelos foi em dezembro do ano passado, desde então eu decidi que quero deixar os cabelos grandes de novo (segura essa marimba). Aí eu acho outro carocinho no pescoço pela terceira vez. Aí eu penso: putz, vai começar tudo de novo, e os dias vão passando e eu vou ficando nessa aflição de saber se posso estar com uma recidiva do linfoma de novo, aí o medo ressurge, as inseguranças, tudo que você constrói fica parado e às vezes eu nem volto a pensar da mesma forma. Quando tudo aconteceu eu tinha 21 anos, tava começando a passar por várias mudanças internas, saindo de um relacionamento completamente nocivo pra mim, começando a questionar minhas certezas, enfim, começando a viver mesmo. Neste sentido, o blog foi meu melhor amigo ao longo dos anos. E quem convive comigo sabe que tudo o que eu escrevi até hoje foi carregado de verdade. Sim, eu sou completamente otimista com as coisas. Pra alguns, isso se torna sempre uma crítica bem presente na minha vida. Acham que eu viajo demais. E viajo mesmo, e acredito mesmo que tudo é uma questão da forma que você se posiciona diante dos problemas. Se eu não acreditasse que as coisas podem melhorar, não faria sentido nenhum continuar encarando a vida. Agora eu dou fim a essa história. Não, não vou esquecer jamais tudo que passei, todas as pessoas que estiveram ao meu lado, mas chegou o momento de não tornar isso mais vivo em mim, chegou a hora de seguir em frente sem ficar sempre com medo do passado. O blog termina hoje, a minha missão com ele já se cumpriu. Tenho certeza que ajudei quem deveria ter ajudado, que fiz minha parte. A luta contra o linfoma e contra os tantos outros tipos de câncer é todo dia. Cada vez mais tenho a certeza de que as pessoas tem que se conscientizar da importância de doar sangue, medula, plaquetas, um sorriso, enfim, fazer o bem. Amadureci muito, aprendi muito, errei muito e aqui estou, já com outras histórias pra serem vividas. Forte, saudável (tá, vou entrar na academia, prometo) e muito, muito feliz, grata por toda as recompensas maravilhosas que a vida tem me dado.

domingo, 27 de março de 2016

Outra vez



Outra vez um outro caroço surge no pescoço. Só que dessa vez não tô assustada, nem com medo, nem cansada. Na verdade a doença já deixou de ter um espaço significativo na minha vida a bastante tempo. Venho preenchendo a cabeça com coisas, lugares e pessoas fantásticas e que me fazem cada dia mais estar aqui, a cuidar do corpo, a receber todos os presentes que tenho recebido. Tenho vivido dias mais que ensolarados, dias daqueles que ficam na nossa memória, dias que me fazem perceber o privilégio de estar viva e colhendo tudo que venho colhendo.

Tenho conservado a vontade de viver e não há doença no mundo que seja capaz de me entristecer.

Vou voltar com boas noticias, como sempre. Independente do resultado. Ah, eu to muito feliz! 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Ano novo, vida nova

Janeiro começou. 2016. A vida tem passado correndo. 3 anos desde o dia que descobri o caroço no pescoço. Aos poucos o tempo vai se distanciando dos momentos que eu vivi e tudo vai se tornando apenas uma lembrança antiga. É incrível estar viva, poder presenciar tantos momentos, tantas situações, ver a mulher que me tornei, me aceitar do jeito que eu sou, sem medo de julgamentos, sem cobranças, apenas ser do jeito que eu quero ser. 

Compreender que a mudança faz parte da vida, que pessoas estão indo e vindo o tempo todo, que a vida é uma grande rodoviária, me fez ter um pouco da dimensão de como a vida muda diariamente. 

Mais um ano, mais uma chance, mais uma forma de se reinventar, se reavaliar, consertar os erros e seguir em frente.

O mundo tá aí, a vida tá aí. Vamos fazer valer a pena. 366 oportunidades. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

coisas que ninguém presta atenção

Eu me dei um tempo do blog. Às vezes eu tenho um monte de coisas pra escrever, mas simplesmente não fico com saco pra isso porque não é todos os dias que eu quero refletir a profundo sobre a vida, sobre a existência, enfim, sobre tudo. Mas na maioria das vezes, enquanto a minha mente voa durante uma viagem, ou alguma tarefa que não requer muita atenção, ou até dormindo eu me paro pensando em coisas que ninguém (ou quase ninguém) pensa por um fator muito simples: somos feitos de rotinas, de normalidades, de seguranças. E todo o resto a gente deixa pra lá.

Tive tempo de sobra pra pensar na vida na viagem que eu fiz à Bahia com meu namorado algumas semanas atrás (foi lindo, brigada mô) e em um dia a caminho da praia, eu simplesmente estava pensando em qualquer coisa aleatória desse monte de coisas que todo mundo pensa quando tá em transporte público quando, de repente, me veio um estalo na cabeça e o pensamento foi o seguinte: eu estou aqui. Eu estou vivendo isso. Eu estou viva e vivendo esse momento que nunca mais vai se repetir.

Ninguém fica sem conseguir dormir a noite com medo do sol não nascer, nem com medo do seu coração parar (a não ser que você saiba que tá com o coração ferrado), nem se seus órgãos estão funcionando direito, nem com um meteoro que acabará com a terra antes de você acordar, ou que nas próximas horas você possa descobrir um simples e inofensivo carocinho no pescoço e esse carocinho ser um câncer que pode te levar embora pra sempre em questão de algumas semanas.

Viver é arrebatador, é visceral, é intenso e é normal, porque não dá pra ficar pensando nos "talvez" o tempo todo. E talvez por assim ser, que nem sempre a gente tá preparado pra lidar com as surpresas e novidades que cada dia separa pra gente. Não há uma vez que eu não escreva aqui que meus olhos não se encham d'água, porque conseguir escrever o que se sente é uma das maiores dádivas que alguém pode ter. 

Não há nada, NADA que não possa ser superado, que não possa ser vencido, que não possa ser derrotado. Eu posso afirmar isso. Hoje cortei meus cabelos de novo. E sempre que eu os corto, não dói mais, porque agora eles crescem todos os dias, sem eu ter medo deles caírem de novo, sem eu me preocupar em como minha aparência será amanhã porque eu sei que eles vão estar da mesma forma que estão hoje. 

Eu não sei de fato se existe um propósito em tudo isso, em viver. Mas todos os dias em que eu acordo e sinto meus cabelos, sei que viver até aqui não foi em vão.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Lista das coisas que eu quero fazer em um ano

Eu passei dois anos da minha vida apenas vivendo um dia de cada vez, sem expectativas a longo prazo, sem planos longos, sem viagens, sem sol, sem praia, sem muita vida livre. No dia do meu aniversário de 24 anos eu pude parar pra refletir em quanta coisa mudou nesses dois anos, em como eu mudei e em como é maravilhoso estar viva e poder planejar (de novo) um futuro pela frente. Claro que a vida não tem manuais de intruções, que a gente aprende errando, que a gente sai machucado, calejado, que a gente sai mais forte de tudo.

Hoje eu posso com propriedade sentar, pensar em como eu quero estar daqui um ano e sonhar com isso. Sem doença, sem medo, sem surpresas ruins. Estar saudável é muito bom, mas passar por uma doença e reviver é surreal.

Eu quero terminar essa graduação (greve, dá uma trégua), quero trabalhar em qualquer coisa por um tempo que me dê a oportunidade de viajar pelo menos uma vez ao ano pra um lugar legal, quero fazer mestrado, pós, quero prosseguir com o projeto de ser professora (acho que tá dando certo), quero continuar com os cabelos curtos, quero voltar com as aulas de piano, amolar meu alicate que eu nunca amolo, aprender a fazer delineador gatinho sem me borrar, talvez deixar os cabelos crescerem até o ombro (essa eu não garanto), levar mais a sério o projeto de escrever, ler mais autores, parar de ser indecisa, parar de ter medo do novo, ir mais a praia, não ter preguiça de tirar a maquiagem, cuidar de alguma planta (tá na hora), ter menos preguiça, praticar alguma atividade física que não me deixe desistir antes do primeiro mês (!!!!), parar de comer porcaria, cortar refrigerante, aprender a fazer pudim, ouvir mais as pessoas, me importar mais, entrar em alguma ong, fazer a diferença na vida de alguém. Viver!

Tudo pode dar errado, tudo pode dar certo, eu posso querer mudar isso tudo em 6 meses, e provavelmente vou mudar. Mas é muito reconfortante, muuuuito mesmo saber que eu to bem, que eu to viva, que tudo que eu passei me tornou mais forte, mais sensata, mais empolgada com a vida. 

Até a próxima! Bem vindos, 24 anos!!!